Introdução
Na minha cozinha, eu sempre digo que comida boa é aquela que conta uma história antes mesmo de chegar ao prato. Esse risoto nasceu em uma noite chuvosa, quando voltei do interior com um pedaço generoso de abóbora cabotiá na cesta e o cheiro de sálvia fresca ainda grudado nas mãos. Minha avó costumava fazer um purê de abóbora adocicado que perfumava a casa inteira, e eu quis transformar essa lembrança em algo cremoso, reconfortante, mas com um toque próprio. Foi assim que o queijo coalho entrou em cena — dourado na frigideira, ele ganhou lugar de honra como se dissesse: “Eu também quero participar dessa memória!”
Um truque que aprendi e que muda tudo é assar a abóbora antes de juntá-la ao arroz: isso concentra o sabor, traz uma doçura discreta e evita que o risoto fique aguado. Hoje eu compartilho com você essa receita que, para mim, tem gosto de casa, de manta nos ombros e de conversa boa na cozinha.
Ingredientes
- 1 xícara (chá) de arroz arbóreo
- 300 g de abóbora cabotiá em cubos pequenos
- 150 g de queijo coalho em cubos (1 cm)
- 1 cebola pequena bem picada
- 2 dentes de alho amassados
- 1/2 xícara (chá) de vinho branco seco
- 1,2 L de caldo de legumes quente (caseiro, se possível)
- 2 colheres (sopa) de manteiga
- 2 colheres (sopa) de azeite de oliva
- 8 folhas de sálvia fresca
- 50 g de queijo parmesão ralado na hora
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- Noz-moscada ralada (opcional)
Modo de Preparo
- Asse a abóbora: Pré-aqueça o forno a 200 °C. Regue os cubos de abóbora com 1 colher (sopa) de azeite, tempere com sal e pimenta e asse por 20 min, até ficarem macios e levemente caramelizados. Reserve.
- Prepare o queijo coalho: Em uma frigideira antiaderente bem quente, doure os cubos de queijo coalho sem adicionar gordura, mexendo até formar uma crosta dourada em todos os lados. Retire e reserve — eles vão entrar no final para manter a superfície crocante.
- Refogue a base: Na mesma panela do risoto, aqueça 1 colher (sopa) de manteiga e 1 colher (sopa) de azeite. Junte a cebola e refogue em fogo médio até ficar translúcida. Adicione o alho e mexa por 1 min.
- Toaste o arroz: Acrescente o arroz arbóreo e misture por 2 min, até que os grãos fiquem brilhantes e levemente transparentes nas pontas.
- Deglaceie com vinho: Despeje o vinho branco e mexa até quase secar. Isso vai abrir os sabores e deixar um perfume incrível.
- Caldo, paciência e carinho: Adicione uma concha de caldo quente de cada vez, mexendo sempre. Quando o líquido reduzir, coloque a próxima concha. Siga assim por cerca de 15 min.
- Incorpore a abóbora: Na metade do cozimento, junte a abóbora assada, mexendo delicadamente para que parte dela se desfaça e dê cor ao risoto, enquanto alguns cubinhos permanecem inteiros.
- Finalize com cremosidade: Quando o arroz estiver al dente, desligue o fogo. Adicione a manteiga restante, o parmesão e uma pitada de noz-moscada. Ajuste o sal e a pimenta.
- Sálvia crocante: Em uma frigideira pequena, aqueça um fio de azeite e frite rapidamente as folhas de sálvia (5-10 segundos). Elas devem estalar e ficar translúcidas. Coloque sobre papel-toalha.
- Montagem: Sirva o risoto imediatamente, salpicando o queijo coalho tostado por cima e decorando com as folhas de sálvia crocante. Cada colherada é cremosa, perfumada e com o contraste perfeito de texturas.
Dicas do Chef
- Caldo sempre quente: Se o caldo esfriar, o choque térmico interrompe o cozimento do arroz. Mantenha uma panelinha ao lado, em fogo baixo.
- Textura é tudo: O ponto do risoto é cremoso, mas com grãos levemente firmes. Se secar demais, acrescente mais caldo; se ficar muito líquido, deixe cozinhar um minutinho extra sem mexer tanto.
- Quer variar? Troque a abóbora por batata-doce assada ou acrescente lascas de castanha-de-caju torrada no final para um toque crocante adicional.
Conclusão: Espero que esse risoto faça sua cozinha se encher de histórias, assim como encheu a minha. Experimente, adapte ao seu gosto e, acima de tudo, divirta-se nesse ritual de transformar ingredientes simples em conforto puro. Depois me conte como ficou — adoro saber quando minhas memórias cruzam o fogão de outras casas!
