Na primeira garoa de outono, meu apartamento ganha cheiro de manteiga dourando e grãos de arroz soltando amido. Volto no tempo para a cozinha da minha avó, onde risoto era sinônimo de festa pequena: panela no centro da mesa e colheres disputando a última concha. Anos depois, adaptei a tradição para aconchegar amigos em noites frias aqui em São Paulo, trocando o clássico parmesão por um toque brasileiro de castanha-do-Pará torrada. O resultado? Texturas que cantam e um perfume adocicado da abóbora cabotiá que abraça a gente por dentro.
Na minha cozinha, eu gosto de chamar esse prato de “cobertor comestível”. Ele é rápido, usa só uma panela e não exige nenhum malabarismo culinário, mas tem cara de jantar de restaurante. E, se você seguir meu ritmo de colher em colher, prometo que o ponto do risoto e o crocante das castanhas vão ganhar plateia no seu fogão.
Ingredientes
- 1 xícara (chá) de arroz arbóreo
- 2 xícaras (chá) de abóbora cabotiá em cubos pequenos (1 cm)
- 1,2 litro de caldo de legumes caseiro ou água quente (mantenha aquecido)
- 1 cebola média picada em cubos miúdos
- 2 colheres (sopa) de manteiga (divididas)
- 1 colher (sopa) de azeite de oliva
- 1/3 xícara (chá) de vinho branco seco
- 50 g de queijo minas padrão ralado grosso (ou meia-cura)
- 1/3 xícara (chá) de castanha-do-Pará picada grosseiramente
- Sal e pimenta-do-reino a gosto
- Salsinha fresca picada para finalizar (opcional)
Modo de Preparo
- Comece aquecendo uma frigideira seca em fogo médio. Adicione a castanha-do-Pará e mexa por 2 a 3 minutos, até liberar aroma e ganhar cor dourada. Reserve.
- Na mesma panela onde fará o risoto, coloque 1 colher (sopa) de manteiga e o azeite. Leve ao fogo médio e refogue a cebola até ficar translúcida, sem deixar dourar.
- Junte a abóbora cabotiá em cubos, misture bem e tempere com uma pitada de sal. Refogue por 2 minutos para selar levemente.
- Acrescente o arroz arbóreo, mexendo por 1 minuto. Esse passo envolve o grão na gordura e evita que ele quebre depois.
- Despeje o vinho branco seco e mexa até que evapore quase totalmente.
- Adicione uma concha do caldo quente, mexendo sempre em fogo médio-baixo. Quando o líquido estiver quase seco, repita o processo, uma concha por vez, por cerca de 16 a 18 minutos. O arroz deve ficar cremoso por fora e ligeiramente firme no centro.
- Quando faltarem 3 minutos para o ponto ideal, prove e ajuste sal e pimenta. Adicione o queijo minas ralado e a última colher de manteiga, mexendo vigorosamente para criar aquela cremosidade típica — é o que chamamos de “mantecar” o risoto.
- Desligue o fogo, tampe a panela e deixe descansar por 1 minutinho. Sirva imediatamente, salpicando a castanha-do-Pará torrada e a salsinha, se desejar.
Dicas do Chef
- Caldo sempre quente: Um truque que aprendi e que muda tudo é nunca deixar o caldo esfriar. Caldo frio quebra o cozimento do arroz e torna o risoto pastoso.
- Textura da abóbora: Gosto de cortar a cabotiá em cubos pequenos para que parte deles se desfaça e outro tanto permaneça inteiro. Isso cria um “purê natural” que engrossa o prato sem precisar de creme de leite.
- Crocante sob medida: Se preferir, substitua a castanha-do-Pará por amêndoas ou até sementes de abóbora tostadas. O segredo para o meu prato ficar perfeito é ter esse contraste de texturas em cada garfada.
Espero que esse risoto se torne seu companheiro fiel nos dias em que você precisa de colo em forma de comida. Experimente, adapte, brinque com os ingredientes e me conte nos comentários como ficou — afinal, cozinha boa é aquela que cria histórias novas a cada colherada!
